quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Uma pica não custa nada


Quando fiz 18 anos, a primeira coisa que me interessou saber e pela qual fiquei verdadeiramente contente por atingir a maioridade era poder tornar-me dadora de sangue.
Sem nunca ter pensado muito nisso, era uma coisa que fazia para mim todo o sentido, e a qual eu nem sequer questionava. Era para mim certo que queria ser dadora de sangue.
Fui ao site do Instituto Português do Sangue, li ansiosa todos os requisitos e fiquei destroçada quando percebi que não me poderia inscrever como dadora de sangue.
Eu não tenho 50kg, sou uma rapariga perfeitamente saudável, como lindamente e tenho mais apetite do que devia. Vivo uma vida ajuizada e mais importante, tenho vontade de me tornar dadora. 
Porque é que os 50kg são a barreira, pergunto-me. Faziam-me um par de análises e rapidamente podiam constatar que apesar de não atingir o peso mínimo requerido pelo IPS seria, certamente, capaz de doar sangue, nem que precisasse de  ficar lá sentada mais tempo para recuperar...
Quando a minha querida amiga P. adoeceu, tudo isto ganhou uma outra dimensão. Já tinha passado um ano, por isso voltei a informar-me e a confirmar os requisitos. Nem para sangue, nem para medula. Eu não me podia inscrever como dadora.
Anos depois, quando a S. foi internada, tive um novo contacto com esta realidade, desta vez vivi-o mais de perto, e o desfecho foi feliz. E aí percebi, verdadeiramente, a falta que o meu, sangue, o sangue de qualquer um de nós faz. Melhora-lhes o dia, ficam com mais força, têm mais capacidade para enfrentar o dia.

Sé me pergunto porque é que todas as pessoas que me rodeiam, cumprem os requisitos, não tem vontade de doar sangue ou de se inscrever no banco de medula?
Uma pica não custa nada.

2 comentários:

  1. Eu estou no banco da medula. Acho que o que faz muita gente não ir é a falta de informação

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    1. Que bom! Conheço algumas pessoas inscritas no banco de medula. Aqui há uns anos houve uma campanha que mobilizou muitas pessoas. E sangue, não dás?

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