Quando fiz 18 anos, a primeira coisa que me interessou saber e pela qual fiquei verdadeiramente contente por atingir a maioridade era poder tornar-me dadora de sangue.
Sem nunca ter pensado muito nisso, era uma coisa que fazia para mim todo o sentido, e a qual eu nem sequer questionava. Era para mim certo que queria ser dadora de sangue.
Fui ao site do Instituto Português do Sangue, li ansiosa todos os requisitos e fiquei destroçada quando percebi que não me poderia inscrever como dadora de sangue.
Eu não tenho 50kg, sou uma rapariga perfeitamente saudável, como lindamente e tenho mais apetite do que devia. Vivo uma vida ajuizada e mais importante, tenho vontade de me tornar dadora.
Porque é que os 50kg são a barreira, pergunto-me. Faziam-me um par de análises e rapidamente podiam constatar que apesar de não atingir o peso mínimo requerido pelo IPS seria, certamente, capaz de doar sangue, nem que precisasse de ficar lá sentada mais tempo para recuperar...
Quando a minha querida amiga P. adoeceu, tudo isto ganhou uma outra dimensão. Já tinha passado um ano, por isso voltei a informar-me e a confirmar os requisitos. Nem para sangue, nem para medula. Eu não me podia inscrever como dadora.
Anos depois, quando a S. foi internada, tive um novo contacto com esta realidade, desta vez vivi-o mais de perto, e o desfecho foi feliz. E aí percebi, verdadeiramente, a falta que o meu, sangue, o sangue de qualquer um de nós faz. Melhora-lhes o dia, ficam com mais força, têm mais capacidade para enfrentar o dia.
Sé me pergunto porque é que todas as pessoas que me rodeiam, cumprem os requisitos, não tem vontade de doar sangue ou de se inscrever no banco de medula?
Uma pica não custa nada.

Eu estou no banco da medula. Acho que o que faz muita gente não ir é a falta de informação
ResponderEliminarQue bom! Conheço algumas pessoas inscritas no banco de medula. Aqui há uns anos houve uma campanha que mobilizou muitas pessoas. E sangue, não dás?
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